Não tenho nada contra o trabalho silencioso, diligente e realizado por outras pessoas.



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quarta-feira, junho 16, 2004
 
DANCE, GIOVANNI, DANCE

Ufa. Tudo indica que os soldadinhos foram embora. Ou, pelo menos, os que estavam camuflados de selva para combater nas alamedas e canteiros centrais de Belo Horizonte.

Eram os únicos visíveis para nós, leigos em estratégia militar.

Os demais, imperceptíveis, estavam provavelmente camuflados de portas, janelas, marquises e outdoors.

Acho que vi, inclusive, um deles com a cara pintada de disco de ouro do Skank, pra poder escorregar escondidinho pelas paredes do Bolão.

Mas os da maquiagem de mata com certeza voltaram para São João Del Rey, o que já é um grande alívio.

Agora os nossos estimados traficantes juvenis já podem enterrar tranqüilos as suas especialidades na grama de novo.

E por falar em plantas, domingo fui a uma festa junina. Em meio a caldos, quentões e xaxados, eu escrevia cartas desesperadas pra Santo Antônio pedindo voluptuosidades mil, enquanto uma dezena de moças o xingavam terrivelmente, lamentando a volta dos PMs.

Lá pelas tantas, uma doninha com cara de pincher olhou-me bem nos olhos e disse:

“Vamos dançar, Giovanni.”

Fiquei especialmente tocado.

Olhei pra ela lá em baixo, sorri demoradamente e disse que só dançava Elton John.

Bêbado, voltei pra casa pensando que realmente seria improvável receber uma ajuda do casamenteiro, uma vez que ele definitivamente não me conhece.

Mas bolas. Vou eu mesmo com as minhas parcas energias atrás de alguma esfregança boa.

Vou eu mesmo, sozinho e orgulhoso, embora levemente marcado pela terrível lembrança.

“Mas por quê não, Giovanni? Dança comigo, Giovanni. Dança, Giovanni...”




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