Não tenho nada contra o trabalho silencioso, diligente e realizado por outras pessoas.



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quinta-feira, agosto 05, 2004
 
A JIBÓIA DOPADA DE TARZAN

Belíssima a versão de Tarzan que foi exibida na madrugada da última terça-feira no SBT.

Fiquei especialmente tocado.

Sílvio Santos sabe o que compra. Não bastasse a qualidade das reportagens americanas que exibe em seu programa dominical – e que também são utilizadas no jornal noturno do mesmo canal apresentado por Hermano Henning – vem agora essa maravilha.

Provavelmente filmada no fim dos 60 ou começo dos 70, a película tem umas cores psicodélicas revolucionárias, que hoje são muito usadas nas produções “b”.

Todos os atores aparecem completamente lambuzados de graxa para que seus músculos tesos sejam ressaltados. Todos, menos a Chita, que, por imposição fisiológica, tem o corpo símio naturalmente coberto de pêlos.

O Tarzan está lindo dos pés à cabeça. Sua tanga de couro ancestral está muito, muitíssimo levantada, e isso nos priva da contemplação sensual de seu umbigo. Desta forma, não podemos ver se ele tem o umbigo para fora, como uma bolinha de carne, ou se tem um simpático umbigo furadinho.

Aliás, todas as tangas do filme estão muito, muitíssimo levantadas, inclusive a da Chita, que, a despeito de ter sido poupada da graxa, não conseguiu escapar da tanga sufocante.

O trabalho de atuação é memorável. Além de segurar a barriga durante os 90 minutos de filme, Tarzan empreende uma luta feroz contra uma jibóia dopada. Nela, o homem da selva tenta, com todas as forças, enrolar o réptil inerte e desprovido de membros em seu corpo forte. Vejam bem, a cobra está DOPADA, e ele faz mil caretas enquanto a veste como um cachecol em torno do pescoço. Em seguida, coloca-a entre as pernas, caindo sozinho e pateticamente, de bunda.

É neste momento de profundo clímax que Chita coloca a mão na testa, como se não acreditasse no ridículo de tudo aquilo, e dá as costas ao embate. Finalmente, Tarzan assume que venceu a jibóia, sabe-se lá por que, e isola o pobre animal num mato qualquer. Não tenho dúvida de que uma salsicha perdigão teria oferecido mais perigo ao protagonista.

Outro detalhe curioso do filme é o hospital ultramoderno no meio da estepe africana e o médico que nele cumpre suas funções. Em determinado momento, o doutor, cheio de pompa e polidez, dirige-se a Tarzan e diz:

“Não se preocupe, Senhor Tarzan. A Senhora Jane já está fora de perigo.”

Finalmente, os índios. Pintados de timbalada, correm pelo cenário louca e desesperadamente, balançando os braços no ar como se tivessem perdido o ônibus. Quando finalmente param, permanecem absolutamente estáticos, não movem um músculo sequer e arregalam os olhos o máximo que podem, como se perfeitamente camuflados no meio de duas ou três bananeiras.

Em suma, um filme emocionante, senhoras e senhores. Aluguem-no assim que puderem.





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