Não tenho nada contra o trabalho silencioso, diligente e realizado por outras pessoas.



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quarta-feira, dezembro 15, 2004
 
A IDADE DA LOBA


Não existe gente mais ordinária do que as mulheres de classe média-alta na faixa dos cinqüenta.

Ninguém consegue conviver com elas, e se ainda estão casadas devem-no ao imenso saco de filó dos respectivos maridos.

As mulheres na faixa dos cinqüenta vivem reclamando.

Quando não estão deprimidas engolindo as suas tarjas pretas, contentam-se em torrar o parente mais próximo.

As mulheres na faixa dos cinqüenta não se cansam de maldizer a infeliz idéia de gerar filhos.

Mas quando se tornam avós, abrem o manjado sorrisinho hipócrita de orelha a orelha.

As mulheres na faixa dos cinqüenta sempre acham motivos para reclamar de alguma coisa que não tem a menor importância, enquanto todo o resto da humanidade tem motivos de sobra para reclamar delas.

As mulheres na faixa dos cinqüenta acham que carregam o mundo nas costas, muito embora a maioria delas não trabalhe.

As mulheres na faixa dos cinqüenta dizem que cuidar da casa dá um trabalho imenso.

Mas têm uma empregada diariamente, uma faxineira duas vezes por semana, uma lavadeira e uma passadeira que a visitam regularmente.

As mulheres na faixa dos cinqüenta raramente têm bom humor.

E ficam lendo Lya Luft e procurando uma serenidade que jamais terão, porque são naturalmente histéricas.

As mulheres na faixa dos cinqüenta estão na menopausa.

Sentem calor demais, sentem ódio demais, sentem fome demais e não gostam de dar.

Saí de casa para evitar a mulher na faixa dos cinqüenta.

E sairei de novo quando a minha mulher entrar na faixa dos cinqüenta.

Sobre os homens de cinqüenta, boa parte deles já virou a mão, o que dá a eles aquele alto astral de Priscila.

A outra parte se aposentou ou está tentando se aposentar pra ficar de papo pro ar.

Só que, ao contrário das mulheres na faixa de cinqüenta, não se aposentam pra fingir pra Deus e pro mundo que efetivamente fazem alguma coisa.

O homem na faixa de cinqüenta convive bem com o ócio.

E o bom convívio com o ócio é uma das qualidades essenciais à pessoa bacana.





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