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Não tenho nada contra o trabalho silencioso, diligente e realizado por outras pessoas.
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quinta-feira, janeiro 13, 2005
SAUNA Mais sobre micoses: são nojentas, realmente. Levantam aos poucos a unha e, eventualmente, migram para as adjacências. Há que se ter coragem para amar alguém com micose. Mas existem compensações. A sauna do condomínio em que passamos as férias, por exemplo, estava cheia. Lotada. Éramos três a querer entrar, mas não cabia todo mundo. Então planejamos. Entraram primeiro os dois e conseguiram dois lugares entre um cara com pêlos sobre os ombros e uma tia com colar de brotoejas. Apertadinhos e suados, começaram a conversar os meus comparsas. "Outro dia eu estava numa sauna e entrou um camarada com uma micose nojenta." "Eca." "E você sabe que micose é contagioso..." "Ah é?" "Muito. Demais. Especialmente na sauna e nos chuveiros." "Que coisa mais horrível." "Pois é. Aí eu tive que sair porque senão ia ser aquela complicação pra curar." "Demora pra curar?" "Uns cinco meses se você for disciplinado." Assim, uma vez que todos na sauna tinham escutado aquele diálogo, entrei triunfante e fiz questão de colocar o pezinho esquerdo sobre a bancada, calcanhar encostado na coxa. Comecei a mexer no meu dedão. Uma a uma, as pessoas foram deixando a sauna em silêncio, sem conseguir disfarçar certo horror. Finalmente, ficamos só os três, espaçosos e tranqüilos. Suei um pouco, tomei minha ducha e coloquei a toalha sobre a cabeça. Depois fui pular na piscina, onde se divertiam – até então – os que tinham fugido de mim na sauna. E eis que várias bolas, bóias e colchões infláveis ficaram, subitamente, disponíveis para as mais lúdicas atividades. |