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Não tenho nada contra o trabalho silencioso, diligente e realizado por outras pessoas.
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sexta-feira, fevereiro 25, 2005
DA ALEGRIA DE ROLAR E AMONTOAR Desculpem. Não tenho visitado esta casa regularmente. Falta qualquer mobília aqui. A verdade é que tenho jogado muito videogame. Estou viciado em videogame, sempre fui. Mas agora a ponta do meu dedo polegar esquerdo já está toda preta e cheia de calos. A recaída recente tem um responsável: a preciosidade chamada Katamari Damacy. Desde os tempos de Atari e Nintendinho eu não via algo tão fabulosamente criativo. Não se trata de um “jogo”, e sim de uma “experiência”. Mas, enfim, o que é Katamari Damacy? É o fruto muitíssimo bem acabado de uma idéia simplérrima. É a coisa mais alegre e engraçada do universo. É um carinha de cinco centímetros que empurra uma bolinha. A bolinha é pegajosa e os objetos grudam nela. Quanto maior a bolinha, maiores os objetos que grudam nela. Parece imbecil? Bem, é imbecil. Mas é genial. Você começa dentro de casa, pegando alfinetes. Gatos te atacam e avacalham a sua bolinha, fazendo desgrudar dela um punhado de objetos. Mas quando a sua esfera de quinquilharia fica grande o suficiente pra pegar um gato, aí sim, você quer vingança. No meio do caminho, você gruda pessoas, que gritam desesperadas ou caem na gargalhada com essa idéia histérica. E tudo termina no meio de um oceano, onde se pode abocanhar ilhas, transatlânticos, vulcões, polvos gigantes, arco-íris. Não consigo descrever satisfação maior do que a proporcionada por arrancar casas, arranha-céus e rodas gigantes dos seus lugares. E existe, no meio de tudo, um grande truque: a sua bola nunca fica totalmente redonda; um objeto muito longo e fino faz com que ela role de forma peculiar. Nem vou falar da trilha sonora, digna do título de melhor da história mundial, universal e sobrenatural dos videogames. Katamari Damacy é, enfim, melhor do que qualquer filme em cartaz no cinema; melhor do que qualquer CD; qualquer peça de teatro; qualquer parque de diversões. Pela originalidade, é o melhor jogo lançado na última década. Ok, talvez não seja, mas fiquei uma década sem ter um console porque não havia nada que me tentasse tão absurdamente a comprar um. Katamari Damacy conseguiu isso. E não tenho como esconder a euforia. A vida fica bem mais divertida quando você começa a olhar pras coisas e a pensar em como elas ficariam no meio de uma bola enorme, que rola e engole coisas ainda mais enormes. Joguem, comprem, peçam, tenham. Rolem, rolem, rolem, rolem. |